Globo Intercâmbios Remunerados no  Exterior

Mais que idioma, trabalhar fora do Brasil garante diferencial na carreira

08/09/2014 08h34 – Atualizado em 09/09/2014 10h23

Mais que idioma, trabalhar fora do Brasil garante diferencial na carreira

Quadro ‘Sua Chance’ mostra exemplo de profissional que foi para Dubai.
Chance de emprego fora dá ‘noção de mundo’ valorizada por empresas.

 

O interesse de buscar um emprego em outro país pode surgir pela vontade, ou necessidade, de aperfeiçoar um idioma, mas pouca gente sabe que os ganhos que se tem com essa experiência vão além. Para a especialista em recursos humanos Ana Paula Zacharias, a chance de trabalhar fora do Brasil e o contato com outras culturas garantem uma “visão de mundo” que tem sido valorizada pelas empresas. O quadro “Sua Chance”mostra o exemplo de quem já viveu essa oportunidade e dá dicas para conseguir um lugar no exterior.

Para uma vaga na área de atuação do profissional, o caminho quando se trabalha em uma multinacional é mais curto, já que a companhia tem a prática de investir no funcionário enviando-o para uma temporada fora do país, segundo a especialista. Se o interessado é um universitário, a opção de programas de estágios oferecidos em agências de intercâmbio é um tiro certo na carreira.

No entanto, a experiência no exterior também pode ser para cargos menos qualificados. É a forma mais fácil de conseguir uma oportunidade, além de garantir uma vivência internacional e cultural que são vistas pelas empresas como grandes benefícios na hora de se recolocar no mercado no Brasil.

“Quando você traz isso de fora e pode empregar num contexto local, isso sem dúvida vai ser um diferencial e vai fazer com que o seu passe seja valorizado”, afirma Ana Paula.

Garçonete por 12 meses
Formada em administração, Ivana Castro, de 34 anos, dedicou 12 meses da sua carreira para ter uma experiência fora do Brasil com o objetivo de aprimorar o inglês. Ela passou quatro meses como garçonete em um navio cruzeiro pela América do Sul. Depois, oito meses na mesma função no restaurante italiano de um hotel cinco estrelas em Dubai, nos Emirados Árabes.

“Levei cerca de um mês da entrevista até o embarque. Hoje falo, escrevo, converso. As empresas vêem com bons olhos. Faria tudo de novo”, conta. No Brasil, ela trabalha como representante comercial e precisa do idioma para lidar com os fabricantes internacionais. “Participo de congressos, preciso falar com fornecedores. Os manuais também são em inglês. Ajudou muito”, explica. Ela conta mais sobre essa experiência no vídeo acima.

Opções pelo mundo
O estudo mais recente feito pela Brazilian Educational and Language Travel Association (Belta), instituição que reúne as principais empresas de intercâmbio brasileiras, mostra que 40% das agências têm comercializado programas de trabalho no exterior. Na Central de Intercâmbio, que possui 80 lojas no Brasil, essa procura dobrou no último ano.

Ivana Castro trabalhou como garçonete em Dubai (Foto: Ivana Castro/ Arquivo Pessoal)Ivana Castro trabalhou como garçonete em Dubai
(Foto: Ivana Castro/ Arquivo Pessoal)

“Os principais destinos são Canadá, principalmente para trabalhos voluntários, EUA, para emprego de babá, e também África do Sul e continente Asiático. Dentro dessas opções há um período de curso no programa, que pode ser de idiomas ou de qualificação no setor do emprego oferecido pela agência”, afirma o diretor da unidade de Campinas (SP) Maurício Mascarenhas.

Os países dos Emirados Árabes Unidos têm se tornado uma escolha frequente para quem busca essa chance, segundo Marcelo Toledo, presidente da MTV Intercâmbios, localizada em Jundiaí (SP), que realiza programas para esses destinos há 16 anos. O foco são cargos que exigem baixa qualificação, como garçom e recepcionista, em cruzeiros e hotéis. Mas também há procura por enfermeiros. “Os Emirados Árabes querem mão de obra jovem para formar lá. Aceitam até inglês básico”, afirma.

O investimento para ter uma experiência de trabalho no exterior no currículo varia de acordo com o programa que o profissional deseja. Para emprego de babá por 12 meses, por exemplo, é preciso desembolsar cerca de U$ 400. Já o outros programas podem ter um custo de até U$ 7 mil.